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Mostrando postagens com o rótulo Psicanálise

Trabalhar para viver? Ou viver para trabalhar? Saúde mental no mundo do trabalho e os riscos psicossociais na NR-1

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 Na manhã de hoje, 10/09/2026 , durante a Semana da Administração da Unidade do Grau Técnico Fortaleza Centro , ministrei uma palestra com o título “Trabalhar para viver? Ou viver para trabalhar? — A saúde mental no mundo do trabalho” . A proposta foi provocar uma reflexão sobre uma relação que atravessa praticamente toda a experiência humana contemporânea: a relação entre o indivíduo e o trabalho. Afinal, por que trabalhamos? O que buscamos quando ingressamos em uma atividade profissional? Quanto da nossa identidade está relacionada ao trabalho que desempenhamos? E, principalmente, o que acontece quando aquilo que deveria contribuir para nossa sobrevivência, autonomia, realização e dignidade passa a produzir sofrimento? Essas perguntas ganham ainda mais importância diante das transformações pelas quais o mundo do trabalho vem passando. A intensificação das atividades, a cobrança permanente por resultados, a expansão das tecnologias digitais, a hiperconectividade, a competição, a...

O ambiente de trabalho adoecido: reflexões psicanalíticas sobre sofrimento organizacional

 Existe um sofrimento silencioso atravessando os ambientes de trabalho contemporâneos. Ele raramente aparece nos relatórios corporativos, dificilmente surge nas reuniões estratégicas e quase nunca é tratado como prioridade institucional. Ainda assim, está presente em corredores empresariais, salas administrativas, escritórios, escolas, hospitais, repartições públicas e até mesmo nos espaços aparentemente “modernos” das organizações contemporâneas. O sofrimento psíquico tornou-se parte da rotina profissional. Talvez um dos maiores paradoxos da sociedade atual seja justamente este: nunca tivemos tantas ferramentas de produtividade e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão emocionalmente esgotados. A lógica contemporânea do trabalho transformou a produtividade em valor moral. Não basta mais trabalhar. É preciso performar. Demonstrar alta performance constantemente. Mostrar entusiasmo permanente. Ser resiliente o tempo inteiro. Adaptar-se rapidamente. Produzir mais. Entregar mais. Su...

Aruan e Darian: A Nobreza Ferida e o Peso da Escolha

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Na savana onde o vento risca a terra e os pactos são feitos mais no silêncio do que nas palavras, vivia um rinoceronte chamado Aruan . Aruan era nobre. Não apenas pela força — que era evidente —, mas pela forma como ocupava o mundo. Seu corpo parecia talhado em pedra viva, sua pele como uma armadura antiga, e seu chifre erguido como um símbolo de autoridade. Quando caminhava, não havia pressa nem hesitação. Ele não fugia. Ele permanecia. E, ainda assim, Aruan escolheu confiar. O improvável entrou em sua vida na forma de um antílope chamado Darian . Darian era tudo aquilo que Aruan não era: leve, veloz, inquieto. Seus passos eram quase música sobre a relva, seus olhos sempre atentos a rotas de fuga. E havia uma regra antiga na savana: antílopes não andavam com rinocerontes. Não combinavam. Não se misturavam. Mas eles se misturaram. Encontravam-se ao entardecer, quando a luz dourada suavizava as diferenças. Darian se aproximava com cuidado, roçando o focinho no ombro espesso de Aruan. Em...

Por que tantas crianças gostam tanto de dinossauros?

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Essa é uma pergunta fascinante e que revela muito sobre o desenvolvimento infantil. Essa quase adoração das crianças por dinossauros não é mero acaso; ela combina aspectos cognitivos, emocionais e simbólicos profundamente humanos. Vamos abordar isso sob algumas lentes: O fascínio infantil por dinossauros combina elementos cognitivos, emocionais, simbólicos e socioculturais. Este artigo explora — à luz da psicanálise clássica e contemporânea, da psicologia do desenvolvimento e da sociologia cultural — por que dinossauros ocupam um lugar privilegiado no imaginário das crianças. Discute-se como o interesse contribui para a formação do eu, funciona como metáfora do medo e do poder, instala-se na interface fantasia/realidade e é amplificado por práticas pedagógicas e pela indústria cultural. Conclui-se com implicações clínicas e educativas e sugestões para profissionais que trabalham com crianças. Há algo de enigmático no olhar de uma criança diante de um dinossauro. Seja em um livro ilust...

Deuses, Arquétipos e o Inconsciente Coletivo: um olhar junguiano sobre a persistência das divindades através do tempo e do espaço

Desde os primeiros mitos que os povos contaram ao redor do fogo até as narrativas religiosas e culturais que moldam nosso imaginário hoje, as divindades têm funcionado como nomes, rostos e histórias para energias internas da psique humana. Para alunos do ensino médio que estudam História, essa perspectiva aumenta a compreensão: mitologia não é apenas “contos antigos”, é também uma linguagem simbólica através da qual as sociedades representaram suas angústias, valores e soluções imaginárias para problemas existenciais. A seguir, reúno e aprofundo as ideias discutidas: definição e função dos mitos, exemplos comparativos entre panteões, a visão junguiana do inconsciente coletivo e dos arquétipos — e, por fim, aplicações didáticas para sala de aula. 1. Mitologia: o que é e por que importa para a História Mitologia são narrativas simbólicas que explicam fenômenos naturais, instituições sociais, experiências humanas e valores. Antes das explicações científicas, os mitos davam sentido ao...

“Die Another Day”: ego, psicanálise e Cabala na cultura pop contemporânea

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Desde seu lançamento em 2002, como tema do filme homônimo de James Bond,  Die Another Day  consolidou-se como um ícone da cultura pop não apenas pelo seu ritmo eletrônico e visual inovador, mas também pelo caráter filosófico e psicológico de sua letra. Madonna, ao longo da canção, propõe uma reflexão sobre o ego, o desejo e a transformação interior, fazendo da música uma obra que transcende o mero entretenimento. Em um panorama em que a cultura pop raramente se debruça sobre processos de autoconhecimento,  Die Another Day  oferece uma narrativa de libertação psíquica e espiritual, ecoando conceitos da psicanálise e da tradição mística cabalística.   O despertar e a ambivalência do eu: Freud e Lacan A abertura da música — “I’m gonna wake up, yes and no” — apresenta a tensão inicial do sujeito entre permanecer na inconsciência e se abrir à introspecção. Freud nos ensinaria que essa ambivalência é própria da relação entre id e ego: parte de nossa psique deseja ...

O Recrutamento e Seleção sob a Ótica da Psicanálise

 O processo de recrutamento e seleção, tão presente no universo corporativo, costuma ser apresentado como um mecanismo técnico e objetivo de escolha dos candidatos “mais adequados” a uma vaga. Entretanto, quando olhado pela lente da psicanálise, revela-se um terreno marcado por fantasias, projeções e dinâmicas inconscientes que atravessam tanto candidatos quanto recrutadores. O trabalho e a constituição do sujeito Freud, em O mal-estar na civilização (1930), já havia apontado que o trabalho é um dos caminhos mais importantes para a sublimação das pulsões. Ao investir sua energia libidinal na produção, o sujeito encontra uma forma de transformar a pulsão em algo socialmente valorizado, construindo laços e encontrando satisfação que vai além da sobrevivência material. O trabalho, portanto, não se reduz a um meio de sustento: ele é constitutivo da própria subjetividade, pois oferece um campo no qual o desejo pode se inscrever e se deslocar. Lacan amplia essa perspectiva ao indicar ...