Aruan e Darian: A Nobreza Ferida e o Peso da Escolha
Na savana onde o vento risca a terra e os pactos são feitos mais no silêncio do que nas palavras, vivia um rinoceronte chamado Aruan . Aruan era nobre. Não apenas pela força — que era evidente —, mas pela forma como ocupava o mundo. Seu corpo parecia talhado em pedra viva, sua pele como uma armadura antiga, e seu chifre erguido como um símbolo de autoridade. Quando caminhava, não havia pressa nem hesitação. Ele não fugia. Ele permanecia. E, ainda assim, Aruan escolheu confiar. O improvável entrou em sua vida na forma de um antílope chamado Darian . Darian era tudo aquilo que Aruan não era: leve, veloz, inquieto. Seus passos eram quase música sobre a relva, seus olhos sempre atentos a rotas de fuga. E havia uma regra antiga na savana: antílopes não andavam com rinocerontes. Não combinavam. Não se misturavam. Mas eles se misturaram. Encontravam-se ao entardecer, quando a luz dourada suavizava as diferenças. Darian se aproximava com cuidado, roçando o focinho no ombro espesso de Aruan. Em...