Home office e solidão: os novos dilemas da gestão contemporânea
Durante a pandemia, ouvi muitas pessoas dizendo que o home office representava finalmente a liberdade profissional que elas sempre desejaram. Não enfrentar trânsito. Não acordar tão cedo. Não lidar diariamente com ambientes organizacionais desgastantes. Não precisar vestir uma “persona corporativa” todos os dias. De fato, no início, aquilo parecia quase revolucionário. Lembro de uma amiga que trabalhava numa grande empresa de tecnologia. Nos primeiros meses de trabalho remoto, ela descrevia a experiência com entusiasmo: “Agora eu consigo almoçar em casa, ouvir música enquanto trabalho e organizar melhor meu tempo.” Meses depois, numa conversa casual, ela comentou algo diferente: “Tem dia que eu percebo que fiquei o dia inteiro sem olhar nos olhos de ninguém.” A frase ficou comigo. Porque talvez o home office tenha revelado algo importante sobre o ser humano contemporâneo: nós reclamávamos profundamente da convivência organizacional, mas não estávamos preparados para o isolam...