O culto à produtividade e a perda da qualidade de vida
Outro dia encontrei um conhecido numa cafeteria. Perguntei como ele estava. Ele respondeu: “Na correria.” Achei curioso porque, sinceramente, ninguém mais responde apenas “estou bem”. A vida adulta contemporânea parece exigir algum grau mínimo de sofrimento produtivo para validar socialmente a própria existência. Se a pessoa dorme direito, almoça com calma e não demonstra sinais evidentes de exaustão, quase parece irresponsável profissionalmente. Existe uma romantização muito estranha do cansaço no mundo atual. As pessoas falam sobre esgotamento quase com orgulho: “essa semana foi insana.” “não parei um minuto.” “estou sobrevivendo.” E tudo isso normalmente acompanhado de café, olheiras e algum humor autodepreciativo tentando transformar colapso emocional em personalidade carismática. Outro dia ouvi alguém dizer: “Dormir é para os fracos.” A frase veio de um rapaz claramente à beira de um apagão psicológico enquanto tentava responder mensagens do trabalho num sábado...