A desumanização silenciosa promovida por metas abusivas
Lembro de um gerente que comemorava metas batendo palmas. Literalmente. Quando a equipe atingia determinado número, ele fazia todos se levantarem para celebrar o “alto desempenho coletivo”. Havia entusiasmo, música motivacional e uma energia que lembrava vagamente aquelas dinâmicas de convenção empresarial onde ninguém sabe exatamente se está participando de treinamento corporativo ou ritual contemporâneo de resistência psicológica. No começo, achei apenas excêntrico. Depois comecei a observar melhor as pessoas da equipe. Quase todas pareciam cansadas. Não aquele cansaço comum de fim de expediente. Era outro tipo de desgaste. Um esgotamento silencioso, acumulado, quase permanente. Curiosamente, quanto mais as metas aumentavam, menos as comemorações pareciam espontâneas. Os aplausos continuavam. Os sorrisos também. Mas havia algo triste no ambiente. Talvez porque exista um ponto em que produtividade deixa de ser estímulo saudável e começa lentamente a corroer a experiência ...