A lógica do controle excessivo e o adoecimento corporativo
Conheci certa vez uma empresa onde os funcionários precisavam avisar no grupo quando iam ao banheiro. Não estou exagerando. Havia mensagens como: “João ausente por cinco minutos.” “Maria em pausa rápida.” “Carlos retornando ao posto.” Durante alguns dias achei que aquilo talvez fosse apenas algum procedimento operacional específico que eu não tinha compreendido completamente. Depois percebi que não. Era controle mesmo. O mais curioso é que ninguém parecia particularmente indignado. As pessoas já haviam incorporado aquilo à rotina com uma naturalidade quase burocrática. Como quem aceita silenciosamente pequenas estranhezas institucionais para preservar o próprio salário no fim do mês. Talvez uma das coisas mais fascinantes do mundo corporativo contemporâneo seja sua capacidade de transformar comportamentos absurdos em procedimentos administrativos aparentemente normais. A lógica do controle excessivo raramente começa de maneira explícita. Ela costuma surgir lentamente: ...