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Teorias Psicológicas e Estrutura da Personalidade

  1. As Teorias Psicológicas e a Compreensão do Comportamento Humano A Psicologia, enquanto ciência, desenvolveu ao longo do tempo diferentes teorias com o objetivo de compreender o comportamento humano, cada uma enfatizando aspectos distintos da experiência psíquica. Essas teorias não são excludentes, mas complementares, oferecendo múltiplas perspectivas para a análise do indivíduo. No contexto da enfermagem, o conhecimento dessas abordagens permite ao profissional interpretar o comportamento do paciente de forma mais ampla, evitando reducionismos e ampliando a capacidade de intervenção humanizada. As principais correntes que se destacam nesse campo são o Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise, cada uma com contribuições específicas para a compreensão da mente e do comportamento.   2. Behaviorismo: o comportamento como objeto de estudo O Behaviorismo, desenvolvido por John B. Watson, propõe que a Psicologia deve se concentrar no estudo do comportamento observável, re...

Teorias Éticas e Ética Profissional

  1. Introdução: por que estudar teorias éticas? A ética, enquanto reflexão filosófica, desenvolveu-se ao longo da história por meio de diferentes correntes teóricas que buscaram responder a uma questão central: o que torna uma ação moralmente correta? Essas teorias não são meramente abstratas; elas fornecem critérios para analisar dilemas reais, especialmente no contexto profissional, onde decisões envolvem conflitos de valores, interesses e consequências.   2. Ética na Filosofia Clássica A filosofia grega inaugurou a reflexão sistemática sobre a ética, especialmente no contexto da vida política (pólis). 2.1. Sócrates Sócrates defendia que o conhecimento é condição para a ação correta. Sua máxima “conhece-te a ti mesmo” indica que o autoconhecimento conduz à virtude. Para ele, ninguém pratica o mal voluntariamente; o erro decorre da ignorância. 2.2. Platão Platão relaciona ética e política, afirmando que a justiça no indivíduo está ligada à justiça na socie...

A Constituição Cidadã de 1988 e o trabalhador brasileiro: conquistas que custaram sangue e luta

 Tem uma palavra que meus alunos usam com uma leveza que sempre me surpreende. A palavra é "garantido". Como em: "isso é garantido pela Constituição". Dizem com a mesma tranquilidade com que afirmariam que o sol nasce no leste. Com aquela segurança de quem herdou algo sem saber exatamente o que custou. E não os culpo. A herança é assim. Ela chega sem a fatura. Mas eu tenho o hábito inconveniente de perguntar: garantido por quem? E quando? E a que preço? A Constituição Federal de 1988 é chamada de Constituição Cidadã. O apelido tem um sabor quase poético, e ao mesmo tempo carrega a confissão implícita de que as anteriores não eram bem assim. Que as seis constituições que vieram antes tinham cidadãos em menor quantidade, ou em condições mais seletivas. Que existia, no conceito jurídico de pessoa protegida pelo Estado, uma hierarquia silenciosa que a lei escrita nunca precisou declarar em voz alta. Cada constituição brasileira foi o retrato do seu tempo. E o retrato de...

O ambiente de trabalho adoecido: reflexões psicanalíticas sobre sofrimento organizacional

 Existe um sofrimento silencioso atravessando os ambientes de trabalho contemporâneos. Ele raramente aparece nos relatórios corporativos, dificilmente surge nas reuniões estratégicas e quase nunca é tratado como prioridade institucional. Ainda assim, está presente em corredores empresariais, salas administrativas, escritórios, escolas, hospitais, repartições públicas e até mesmo nos espaços aparentemente “modernos” das organizações contemporâneas. O sofrimento psíquico tornou-se parte da rotina profissional. Talvez um dos maiores paradoxos da sociedade atual seja justamente este: nunca tivemos tantas ferramentas de produtividade e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão emocionalmente esgotados. A lógica contemporânea do trabalho transformou a produtividade em valor moral. Não basta mais trabalhar. É preciso performar. Demonstrar alta performance constantemente. Mostrar entusiasmo permanente. Ser resiliente o tempo inteiro. Adaptar-se rapidamente. Produzir mais. Entregar mais. Su...

Processos Psicológicos e Comportamento Humano

1. Comportamento Humano: Conceito e Natureza O comportamento humano pode ser compreendido como o conjunto de respostas que o indivíduo manifesta diante dos estímulos do ambiente em que está inserido, envolvendo ações observáveis e também processos internos não diretamente visíveis. No campo da enfermagem, compreender o comportamento é essencial, pois o paciente não responde apenas de forma biológica às intervenções, mas também emocional, cognitiva e socialmente. Cada gesto, silêncio ou reação expressa uma forma de adaptação à condição vivida, especialmente em contextos de dor, medo ou incerteza. Assim, o comportamento deve ser interpretado como linguagem, sendo um meio pelo qual o sujeito comunica suas experiências internas, ainda que de forma indireta.   2. Comportamento Inato e Comportamento Aprendido O comportamento humano pode ser dividido, em termos gerais, em comportamento inato e comportamento adquirido. O comportamento inato refere-se àquele que está presente desde ...

Fundamentos da Ética e Vida em Sociedade

  1. Introdução: da norma à reflexão Na aula anterior, compreendemos a diferença entre ética, moral e valores. Avançando, é necessário investigar os fundamentos da ética , ou seja, as bases que justificam por que determinadas ações são consideradas corretas ou incorretas. A ética não se limita a descrever comportamentos; ela busca fundamentar racionalmente as escolhas humanas, especialmente no contexto da vida em sociedade.   2. A ética como construção filosófica A ética é um campo da Filosofia que se ocupa da investigação crítica dos valores e princípios que orientam a ação humana. Nesse sentido, ela não nasce pronta, mas é resultado de um processo histórico e reflexivo. A reflexão ética surge quando o indivíduo deixa de apenas seguir normas e passa a questionar: Por que devo agir dessa forma? Essa ação é justa? Quais são as consequências do meu comportamento? Sem esse exercício crítico, a ação humana tende a ser automática e acrítica, reproduzindo pad...

Da Revolução Industrial ao SESMT: como o capitalismo forjou as leis que protegem o trabalhador

 Há uma cena que eu repito aos meus alunos toda vez que começo a falar sobre legislação trabalhista. Não é uma cena de livro. É uma cena de fábrica. Imaginem uma criança de dez anos, às vezes menos, acordando antes do sol, engolindo qualquer coisa que pudesse ser chamada de café, e marchando para uma fábrica têxtil na Inglaterra do século XIX. Ela passaria doze, quatorze horas entre máquinas que não tinham dispositivo nenhum de proteção, porque proteção era, naquele momento, um conceito que ainda não havia sido convidado para a conversa entre o capital e o trabalho. A criança não tinha direitos. Tinha apenas utilidade. E foi exatamente esse o ponto de partida de quase toda a legislação de segurança do trabalho que conhecemos hoje: não a generosidade dos empregadores, mas a insuportabilidade das condições que os trabalhadores estavam sendo submetidos. É curioso e um pouco melancólico  perceber que a história das normas que protegem o trabalhador brasileiro é, em essência, uma h...