O mito do funcionário multitask
Há alguns anos, durante uma entrevista informal de emprego, ouvi um gestor dizer com entusiasmo quase admirável: “Estamos procurando alguém multitarefa.” Na época, sorri educadamente como todo adulto socialmente funcional faz em situações corporativas confusas. Mas, por dentro, pensei: “Interessante… então vocês querem contratar uma pessoa ou um polvo emocionalmente resiliente?” Desde então, passei a observar como o mercado desenvolveu verdadeira obsessão pela ideia de produtividade simultânea. O profissional ideal contemporâneo aparentemente precisa: responder mensagens; participar de reunião; preencher planilhas; resolver problemas; atender clientes; ter criatividade; equilíbrio emocional; proatividade; e, se possível, sorrir enquanto tudo acontece ao mesmo tempo. Existe quase uma fantasia corporativa de que seres humanos funcionam melhor permanentemente divididos em vinte abas mentais simultâneas — como navegadores de internet emocionalmente instáveis. O curioso é que a multita...