XXXVII

Hoje completo 37 anos.

E, olhando para trás, percebo que a vida foi bem menos sobre encontrar respostas e muito mais sobre aprender a conviver com perguntas.

Quando era mais novo, imaginava que amadurecer significava alcançar algum tipo de certeza. Achava que em determinado momento eu saberia exatamente quem sou, para onde vou e o que esperar do caminho. Mas o tempo, esse professor paciente e às vezes implacável, me ensinou outra coisa: a vida raramente entrega mapas completos. Ela oferece bússolas.

E, muitas vezes, nem isso.

Ao longo desses anos, fui descobrindo que sou feito de travessias. Algumas planejadas. Outras completamente inesperadas. Algumas leves como uma maré tranquila. Outras parecidas com tempestades capazes de mudar o rumo de tudo.

Já perdi pessoas que imaginei que permaneceriam para sempre. Já encontrei afetos onde não procurava. Já vi sonhos nascerem, mudarem de forma e, em alguns casos, desaparecerem para dar espaço a outros que eu sequer imaginava possíveis.

Durante muito tempo achei que crescer significava acumular. Hoje acredito que crescer também é aprender a soltar.

Soltar expectativas.

Soltar versões antigas de nós mesmos.

Soltar histórias que cumpriram seu papel.

Soltar a necessidade de compreender imediatamente aquilo que só o tempo consegue explicar.

Talvez por isso eu tenha desenvolvido uma relação tão profunda com a ideia de transformação. Existe algo de fascinante no fato de que nada permanece exatamente igual. Nem as dores. Nem as alegrias. Nem os medos. Nem as certezas.

Tudo muda.

E nós mudamos junto.

Acho que uma das maiores descobertas dos últimos anos foi perceber que resistência e sensibilidade não são opostos. Pelo contrário. Algumas das pessoas mais fortes que conheço são justamente aquelas que continuam se permitindo sentir.

E eu sinto.

Sinto muito.

Às vezes mais do que gostaria.

Mas hoje não vejo isso como defeito. Vejo como parte daquilo que me torna quem sou.

Também aprendi que existem diferentes formas de força. Existe a força que enfrenta o mundo de peito aberto. E existe aquela que simplesmente continua. Que atravessa. Que resiste ao desgaste do tempo sem perder completamente a capacidade de se encantar.

Tenho tentado cultivar essa segunda.

Nem sempre consigo.

Mas tenho tentado.

Ao longo da vida, fui colecionando interesses, paixões, livros, conversas, ideias, experiências e pessoas. Algumas ficaram por anos. Outras passaram rapidamente. Todas deixaram algo.

E talvez seja justamente isso que mais me emociona quando penso na minha própria história: perceber que sou feito de muitos encontros.

Encontros com pessoas.

Com lugares.

Com conhecimentos.

Com versões de mim mesmo que surgiram em diferentes momentos da caminhada.

Hoje, aos 37 anos, me sinto menos preocupado em provar alguma coisa para o mundo e mais interessado em compreender aquilo que realmente tem valor.

Tenho aprendido a respeitar meus próprios ciclos.

A entender que há momentos de recolhimento e momentos de expansão.

Momentos de silêncio e momentos de fala.

Momentos de semear e momentos de colher.

E talvez exista uma sabedoria bonita em não tentar apressar nenhum deles.


Se existe algo que desejo levar para os próximos anos, não é uma lista de conquistas. É a capacidade de permanecer aberto.

Aberto para aprender.

Aberto para mudar de ideia.

Aberto para me surpreender.

Aberto para amar.

Aberto para reconhecer que ainda não sei tudo e que provavelmente nunca saberei.

Há algo profundamente libertador nisso.

Hoje não me sinto uma obra concluída. Nem perto disso.

Sinto-me como alguém que continua navegando, guiado por uma mistura de curiosidade, memória, esperança e fé na vida. Uma fé tranquila, sem garantias, mas suficientemente forte para seguir adiante.

E, sinceramente, gosto dessa ideia.

Porque, se aprendi alguma coisa nesses 37 anos, é que os caminhos mais bonitos raramente são aqueles que planejamos com exatidão.

São aqueles que nos transformam enquanto os percorremos.

E a jornada continua. 

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