O papel da empatia nas organizações contemporâneas
Outro dia ouvi um gestor dizer: “Minha porta está sempre aberta.” A frase foi dita com enorme convicção durante uma reunião sobre clima organizacional. Duas horas depois, um funcionário tentou conversar com ele sobre excesso de demandas e saiu da sala com mais tarefas do que tinha quando entrou. A porta realmente estava aberta. O problema talvez fosse o restante. Existe uma palavra que se tornou extremamente popular no universo corporativo contemporâneo: empatia. Ela aparece em palestras. Treinamentos. Workshops. Posts institucionais no LinkedIn acompanhados de fotos cuidadosamente espontâneas de equipes sorrindo ao redor de notebooks. As empresas descobriram finalmente que seres humanos possuem emoções — percepção revolucionária que chega apenas algumas décadas depois de descobrirem o café gourmet. Mas confesso que gosto de observar como o conceito de empatia circula no mundo corporativo. Às vezes parece profundamente sincero. Às vezes parece apenas nova ferramenta...